Dorivaldo
Ainda estou me acostumando com a idéia. Olhando para os meus problemas, como se fossem um espelho. Descruzo os braços e ando de um lado para o outro entre os corredores estreitos de minha vida, vazia. Eu lamento por tudo o que aconteceu, mas não adianta, porque o mundo ainda é o mesmo; e uma laranja não pode substituir o lugar do sol. A vida é mesmo uma ironia... descobri não controlar os meus dias. Depois de tanto tempo, esta é a sombra de uma idéia lamentável ganhando vida dentro de mim.
Dorivaldo enxugou as lágrimas escorrendo em seu rosto. Naquele dia, o entardecer foi vermelho e triste para o seu coração. Era o fim de mais um ano de erros e falsas emoções. Engraçado, estes dias, antigamente, eram mais especiais. Dia após dia, os movimentos e as cores carecem de um pouco de sentido.
Dorivaldo sentiu o desejo de nunca mais sair de dentro daquele quarto, tão seguro e quente, feito o ninho de uma águia. Era bem difícil para Dorivaldo acordar todos os dias e ter que escovar os dentes e pentear os cabelos.
Dorivaldo apenas queria não sentir estas coisas. Estes medos. Apenas queria no final de algum dia doce contar uma estória feliz ao seu filho e, depois, ao seu neto. As atuais circunstâncias não revelam alguma esperança. Além do mais, Dorivaldo não é uma águia. Não pode voar pelas montanhas.
A proteção é irmã da desordem. Dorivaldo pensou ser ingrato, tão forte e certas vezes tão fraco. Viver é morrer. Dorivaldo desejou somente um dia viver, um dia para nunca mais esquecer. E atormentado, pensou estar louco. Não, ainda não.
Vai ficar tudo bem, ao menos por enquanto. Dorivaldo quer apenas fazer as coisas darem certo e zelar pelo bem dos corações leais. E que um dia, alguém sinta a falta de um menino chamado Dorivaldo.

1 Comments:
muito bom, esse texto :)
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