arte de esquecer

"depois de tudo que nos fez a vida, meu deus/ essa teimosia de reviver/ com a mesma humildade agradecida / que sente a relva após a chuva./ agora,/ as lágrimas tornaram mais límpidos/ os teus olhos/ vês?/ não, não olhes a vida/ olha o mundo/ no mundo é sempre agora." Mário Quintana

agosto 14, 2010

Os passarinhos cantavam. Estava amanhecendo. Não era mais um dia. Era um dia a menos. As ruas sujas daquela cidade sempre foram habitadas por ratos, agora dentro e fora do esgoto. A paz era uma palavra tão pequena que se perdeu em meio a fumaça dos automóveis. Tudo estava tão confuso. Themístocles era uma estrela e foi expulso da constelação, e em vez de cair no mar, só pra machucar, resolveu cair no chão. A luz no fim do túnel cegou seus olhos e agora nao sabia mais aonde ir. Desde então, aprendeu a andar pelo lado escuro da vida. Dias tranquilos há tempos não passam por aqui. Antes de voltar a si, Themístocles escreveu as seguintes palavras em um pedaço de papel: O tempo voa, mas nao tem asas. O relógio pulsa, mas não tem vida. O meu peito dói, e não há ferida...

agosto 13, 2010

é difícil respirar em meio a essa fumaça
é difícil viver sem essa máscara
sorrir quando a história não tem graça
e ser forte, quando tudo que se pode,
está longe da vida e tão perto da morte