arte de esquecer

"depois de tudo que nos fez a vida, meu deus/ essa teimosia de reviver/ com a mesma humildade agradecida / que sente a relva após a chuva./ agora,/ as lágrimas tornaram mais límpidos/ os teus olhos/ vês?/ não, não olhes a vida/ olha o mundo/ no mundo é sempre agora." Mário Quintana

março 30, 2007

Coisas que se vão sem permitir serem esquecidas

E ninguém sabe até quando continuarei respirando. A qualquer momento o balde de óleo quente pode cair sobre os meus olhos castanhos. A qualquer instante a dor nas costas pode voltar e se tornar insuportável para sempre.

O que preciso fazer nem sempre parece límpido e claro. Continuar vivendo, acreditando que o ferro em brasas nunca vai tocar o meu rosto e que nunca irão descobrir meus pecados.

Isso são apenas coisas que se vão sem permitir serem esquecidas. Eu tenho medo de não agüentar a barra, o peso da vida, ter que escolher todos os dias entre o certo e o errado.

Eu estremeço ao pensar que o sol não vai mais nascer e que as estrelas podem parar de brilhar a qualquer momento. A vontade de desistir de tudo é insupotável. Às vezes eu sinto pedaços de vidro cortando delicadamente a minha pele.

No fim do dia eu penso ser um fraco, pois da minha janela enxergo coisas que eu não poderia jamais suportar. E isso congela a minha alma.

março 26, 2007

Sem título

Agora o chiclete tem um gosto diferente. Deve ser pela cárie em meus dentes. O mundo está perdido. Os meus sonhos não têm mais sentido. E eu sinto muito por ter que dizer tudo isso.

Todas as noites a culpa se deita ao meu lado e toma o meu cobertor. Por isso eu sinto frio e dor.

Durante aquele dia o mundo inteiro ouviu a voz do pavor. Apenas minha boca não se calou. E somente minha luz apagou.

Desde muito tempo eu não consigo dormir em paz. Os gritos de dor ainda se encontram no amor. E isso não se faz.